História do TJA

No final do século XIX, o Ceará vivia uma economia próspera com a cultura do algodão. Ao mesmo tempo, a atividade intelectual efervescia em Fortaleza. Foi nesse cenário econômico e cultural que a sociedade cearense propôs ao governo de Nogueira Accioly construir uma grande casa de espetáculos, o Theatro José de Alencar. A pedra fundamental do que seria o prédio do Theatro foi lançada em 1896, no centro da Praça Marquês de Herval, hoje Praça José de Alencar. O projeto foi concretizado somente em 1904, com a autorização da construção. As obras tiveram início quatro anos depois, exatamente no dia 6 de julho de 1908. A inauguração oficial do Theatro José de Alencar ocorreu no dia 17 de junho de 1910, e a primeira apresentação teatral se deu em 23 de setembro, com a companhia Dramática Lucilla Perez, com a peça “O Dote”, de Artur Azevedo. Em 10 de agosto de 1964, o Theatro foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional como Monumento Artístico Nacional.

O Theatro José de Alencar é um exemplar característico da fase eclética da arquitetura brasileira, mesclando especialmente as linhas neoclássicas e art nouveau. Todo bloco central ou Foyer em estilo eclético, é construído em alvenaria com relevos em argamassa. A face alegre de Baco, a quem se atribui a invenção do teatro, está esculpida no alto da fachada, ladeada por duas musas. No andar térreo encontra-se o saguão, cujo piso é em mosaico, reproduzido a partir do modelo original de 1910, que ainda hoje serve à pavimentação da plateia. Na parede acima das portas principais, pelo lado de dentro, veem-se três tipos diferentes de pintura decorativa, feitos em épocas diferentes e descobertas na reforma de 1989. O pavimento superior corresponde ao Salão Nobre do Theatro. No frontão da porta principal estão esculpidos dois anjinhos que representam a união do corpo e da alma, através das figuras mitológicas de Cupido e Psiqué. Na sacada da mesma porta encontra-se também “Fortitudine”, símbolo oficial da cidade quando ainda se chamava Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A pintura decorativa das paredes internas do Salão Nobre é uma reprodução da original que se encontra protegida por vidro, na parede do lado poente. Ela foi descoberta com a remoção das várias camadas de tinta que a cobriam. No teto, a pintura é original, exceto a parte do retângulo central onde aparece uma reprodução do original que está por baixo resguardado.

O pátio interno fica entre o “foyer” e a Sala de Espetáculos, entre o jardim e o prédio anexo. Dele pode-se ver a rica fachada da Sala de Espetáculos em estilo art nouveau e estrutura metálica. No alto, os vitrais coloridos são dispostos em leque acompanhando as curvas achatadas das cobertas. Ao centro, logo abaixo do letreiro com o nome do Theatro, efeitos decorativos contornam as máscaras, que representam o Drama e a Comédia, ao lado da cítara e trombetas, que simbolizam a poesia e a música. Embaixo, os vitrais formam desenhos geométricos e refletem a luz do sol ou da noite como gambiarras iluminando os espectadores. Na lateral leste fica o jardim, projetado pelo paisagista Burle Marx, com plantas brasileiras como o Pau-Brasil e Oitis, além de algumas espécies nativas do Ceará como os Jucás e Macaúbas.

Na sala de espetáculos, é marcante o trabalho de ferro fundido nos gradis das frisas e especialmente nos gradis dos camarotes, onde seis cupidos seguram guirlandas e escudos. Acima do pano de boca vemos um painel artístico que representa a Fama coroando José de Alencar, sob o olhar dos personagens de seus romances. Este é o Theatro José de Alencar.

Anexo à edificação histórica, abriga ainda o Centro de Artes Cênicas do Ceará – CENA, inaugurado em 1996. Integram o CENA: sala de Teatro Nadir Sabóia, de Canto Paulo Abel, de Dança Hugo Bianchi, Música Jacques Klein e Sidney Souto; Teatro Morro do Ouro; oficinas de Figurino Flávio Phebo, de Cenografia Helder Ramos, de Iluminação Álvaro Brasil: Galeria de Arte Ramos Cotoco; Biblioteca Carlos Câmara; Praça Mestre Pedro Boca Rica (palco ao ar livre). Além de sediar a direção geral e administração do teatro, o CENA abriga o Curso Princípios Básicos de Teatro. Theatro José de Alencar. O maior palco da cultura cearense.

Quem foi José de Alencar?

José de Alencar (1829-1877) foi um romancista, dramaturgo, jornalista, advogado e político brasileiro. Foi um dos maiores representantes da corrente literária indianista. O principal romancista brasileiro da fase romântica. Destacou-se na carreira literária com a publicação do romance “O Guarani”, em forma de folhetim, no Diário do Rio de Janeiro, que alcançou enorme sucesso e serviu de inspiração ao músico Carlos Gomes que compôs a ópera “O Guarani”. Foi escolhido por Machado de Assis para patrono da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

Ocupação: Romancista, jornalista, advogado e político brasileiro

Data do Nascimento: 01/05/1829

Data da Falecimento: 12/12/1877 (aos 48 anos)