O Theatro José de Alencar (TJA), equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), recebe nos dias 24, 25, 26, 29 e 30 de novembro, das 8h às 12h, o “LAN – Laboratório Ancestral de Nano-Narrativas”, da Coletiva Negrada. A atividade terá como suporte a plataforma Google Meet, sendo o projeto formativo um dos selecionados pelo Arte em Rede 2021.

Propondo um diálogo entre as poéticas da atuação Macumbeira e do Teatro Hip-Hop como dispositivos de criação e pesquisa na cena teatral, a Coletiva Negrada surge com o projeto formativo “LAN – Laboratório Ancestral de Nano-Narrativas”, com carga horária total de 20h/aula e 4h/aula diárias distribuídas durante a semana.

O laboratório é voltado para jovens e adultos envolvidos com a arte do corpo, da música e da palavra, no qual os participantes irão desenvolver estudos corporais, textuais e sonoros baseados em memórias pessoais e coletivas sobre território e identidade. A formação pretende elaborar em conjunto reflexões acerca dos conceitos de Teatro Hip-Hop (Roberta Estrela D’Alva), Narrativas Fósseis de (Sanara Rocha) e Corpo Limiar e as Encruzilhadas (Renata Lima).

As formações seguirão os seguintes eixos poéticos: A Cyber-Ogã, a Atuante MC e a Atuação Macumbeira. No primeiro eixo, “A Cyber Ogã” desenvolve, a partir de sonoridades, um espaço de reconfiguração da linguagem, expandindo a comunicação intelectual/ linguística a uma troca sinestésica entre o espaço ritual e o espaço virtual. Com a “Atuante MC”, há uma investigação do corpo-vocalidade da palavra e do gesto/ gestus, a partir da performance nos Slams. 

Já na “Atuante Macumbeira”, será trabalhada a energia cinética e vital no treinamento corporal, potencializando a criação de uma cena ritual. A partilha contempla estudos teóricos e práticos das pesquisadoras Roberta Estrela D’Alva (Teatro Hip-Hop e o Slam no Brasil), Renata Lima (Corpo-Limiar) e Sanara Rocha (Narrativas Fósseis). 

Este Laboratório defenderá a manutenção das práticas culturais negras e de corpas em retomada indígena como caminho para a construção da própria identidade, através das narrativas poéticas e ancestrais que compõe a história de cada individua, pois, a memória só acontece na grafia do corpo em movimento. 

Sobre o LAN

O LAN – Laboratório Ancestral de Nano-Narrativas recebe este nome em analogia à sigla “LAN”, de origem inglesa, que quer dizer Local Area Network (rede local), é a configuração para redes instaladas em áreas menores que permitem a distribuição e transmissão da conexão de Internet. A sigla LAN ficou conhecida no Brasil pelas casas tecnológicas, ou LAN HOUSE, localizadas na periferia do país. 

Esta pesquisa nasce dentro do Laboratório de Teatro (2020) na Escola Porto Iracema das Artes (CE) com o projeto “Afrografias da Corpa Jabuti: memória e tempo de uma diáspora entre Quixadá e Fortaleza”. O que se propõe em LAN é pensar uma formação multilingue com base na expansão e comunicação a partir da pesquisa das artistas integrantes da coletiva NEGRADA, como, também, na atualização das práticas culturais dos registros negres-natives na memória coletiva. 

Sobre a Coletiva

A Coletiva Negrada é uma plataforma de criação, pesquisa e fruição artística que atua na estética da cena expandida a prática dos saberes ancestrais negres e indígenas. É uma Coletiva autônoma composta por pessoas racializadas, corpas femininas e dissidentes do Ceará, não possuindo financiamentos de empresas ou órgãos privados. Por este motivo, são construídas estratégias para seguir investigando por caminhos artísticos e pedagógicos.

Construindo pela desfronteira das linguagens uma performance espiralar. Esteve no Laboratório de Criação de Teatro (2020) da Escola Porto Iracema das Artes elaborando o projeto “Afrografias da Corpa-Jabuti”, que ramificou-se na MOSTRA PATUÁ e na investigação de um jogo cênico instalativo.

✔ Amandyra: Integrante Atuante, graduada em Teatro pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente, no teatro, sua pesquisa é voltada à memória na construção de dramaturgias expandidas, buscando formas de materializar na linguagem da performance da Atuante MC, junto ao Teatro Hip-Hop, as experiências de sua corpa-território. Nas artes visuais, investiga o onirismo e a fauna-flora pessoal através da criação de lambe-lambes. Junto à coletiva NEGRADA, desenvolve estudos relacionados à pluri-performatividade negra-nativa.

✔ DJ Viúva Negra: Atriz, produtora, social media e DJ. Atuante como atriz na Coletiva NEGRADA, produtora e DJ da festa Crioula (coletiva Preta e LGBTQIA+ que usa a música favelada como gancho político e ancestral) e DJ da festa Suor Preto. Atualmente estuda de forma encruzilhar a música africana e o funk tendo a ancestralidade como matriz espiralar na construção de imaginários emancipatórios, exercitando esta área de pesquisa com a Cyber Ogã.

✔ Pedra Silva: Trans não-binária em retomada, artista e arte-educadora das encruzilhadas que manifesta-se por meio das artes cênicas e audiovisuais seu fazer poético ancestral. Desenvolve seu trabalho a partir dos campos de atuação voltados à memória, êxodo e espiritualidade. Mantém em parceria com o Ateliê Casamata a Residência Artística Memórias Negre-Natives. É Guia de Travessia do Percurso Básico de Teatro Negro – PBTN. Atualmente é professora do Curso Básico de Audiovisual do Centro Cultural Bom Jardim – CCBJ. Esta estudante de Lic. em Teatro pelo Instituto Federal de Educação (IFCE)

O Arte em Rede – Convocatória para seleção de projetos artísticos digitais 2021/2022 é apresentado pelo Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. É uma realização em rede pelos equipamentos da Secult Ceará, geridos em parceria com o Instituto Dragão do Mar.

SERVIÇO

LAN – Laboratório Ancestral de Nano-Narrativas, da Coletiva Negrada

Quando: dias 24, 25, 26, 29 e 30 de novembro, das 8h às 12h

Onde: plataforma Google Meet

Formulário de inscrições: https://bit.ly/3wY0OdX