O Theatro José de Alencar (TJA), equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM), reabre a Galeria Ramos Cotôco, situada no anexo CENA, com a exposição “Arte Atemporal”, reunindo as obras de sete artistas: Samya Magi, Lana Guerra, Francisco Ivo, Edmar Gonçalves, Caetano Barros, Vando Farias e Totonho Laprovitera.

Com curadoria de Júlio Silveira, a exposição – que também homenageia o artista plástico Totonho Laprovitera – tem visitação gratuita a partir do dia 30 de setembro e segue até o dia 30 de outubro, ocorrendo sempre de terça à sábado, das 9h às 16h. A coletiva é uma realização conjunta do TJA, Fórum de Artes Visuais do Ceará e Studio4design.

Sobre o homenageado

Totonho Laprovitera, arquiteto, urbanista e artista plástico cearense, é um mago no templo das artes, conhece este fazer como ninguém, suas habilidades e seu talento se confundem em cada obra que realiza. Entre seus principais projetos estão a sede do Tribunal de Contas do Ceará (TCE), o Aeroporto Internacional de Aracati e a sede da Ordem de Advogados (OAB Ceará). 

Seja nas artes visuais, na música ou nas letras. A homenagem serve como representação do que ele merece, admiração e respeito. Um mestre, que expressa excesso de dedicação no trabalho, artífice ímpar, justa homenagem, Totonho na ação desenha a história, essa que não quer ser esquecida e nem podemos apagar, seus personagens não são concebidos e nem ao mesmo recriados, fazem parte da história de um povo que compartilham a mesma língua, possuem os mesmos hábitos e tradições. Dessa forma o público é contemplado com o primeiro ato de fazer arte.

Sobre os artistas 

Caetano Barros – A ferro e fogo Caetano molda o tempo das coisas que cumpriram seu tempo útil. Reciclando e transformando, esse artista que vem das escolas da pintura descobre na escultura seu fazer artístico. Caetano se apropria daquilo que não tem mais propriedade, está descartado, logo ressignifica, vira arte, e como até não conta mais tempo, tem sonhos, tem sentimentos e como tal significado. Sua bigorna soa ao som de uma marreta, ao meio delas a limalha de ferro se amolda ao desejo do criador, e com essa “delicadeza” o mestre do malho e da solda dá novamente vida àquilo que até o tempo desperdiçou.

Edmar Gonçalves – O tempo não é o tempo para o artista, o tempo é apenas horas ou dias contados, sua obra depois de criada viaja no tempo, vai do passado ao futuro, mas sempre viva no presente. Edmar ressignifica seus guerreiros e os santifica para nossa adoração, para nossa cura e salvação de nosso imaginário. O artista com quarenta anos de arte, mas o que são quatro décadas? É uma vida, uma realização ou um aprendizado? É tudo isto, um arco do guerreiro que se escreve em cores, e com a beleza que só a arte pode nos dar.

Francisco Ivo – Artista naif contemporâneo, assim podemos classificá-lo. Como artista ingênuo, Ivo se permite viajar na máquina do tempo e visita Leonardo Da Vinci, aproveita e sequestra sua Gioconda, vem com ela escutar Fagner e dançar um frevo mulher ao som de Amelinha. Nem se demora já se vê passeando pelos morros do Rio de Janeiro com Debret na companhia de um índio e Mariele Franco, certamente contemplando o Corcovado, Cristo Redentor que todos abraça, um Pão de Açúcar para a cidade sempre maravilhosa e no horizonte vai encontrar Copacabana com suas belas mulatas semi-nuas. Francisco Ivo viaja através do tempo, seu transporte é a arte que o leva a atravessar portais e o permite sua arte ao futuro. Como geólogo de formação ele observa as marcas que o tempo gravou no tela da terra, sem querer topa com Lasar Segall, um mestre com certeza e juntos experimentam um novo desenho, uma figura humana masculina, que a denominam, ” homem imaturo” assim eles vêm o tempo, Senhor que não envelhece nunca.

Lana Guerra – Foi convivendo com os artistas que se descobriu também uma artista. Transitando entre ateliers e grupos de artistas, percebeu um mundo que se lhe apresentava com todas as possibilidades que arte poderia dar. Ainda adolescente e meio a dezenas de artistas. Júlio Silveira, Aderson Medeiros, Jorge Luiz, sr, Garcia, Zakira, Sandra Montenegro, Zé Tarcísio, entre muitos outros estão como suas referências. Um pouco mais tarde na umbanda, religião afro- brasileira que vai buscar suas inspirações e toda motivação para a construção estética artística para desenvolver sua obra. Filhas de santo com saias rodas e bordados exuberantes, turbantes, colares e pulseiras, as entidades seus trajes, indumentária que só alimentam a imaginação. Seus trabalhos ricos em movimento e bastante ritmados nos oprimem o som dos tambores e atabaques presentes nos rituais religiosos da umbanda. O ambiente recheado os odores das ervas e o fumo dos cachimbos dos Pretos Velhos. Lana Guerra trás essa atmosfera para seu trabalho em cada pintura, colagem ou desenho que faz, com simplicidade, e um talento invejável ela consegue entrar em um tempo que a ninguém pertence. O tempo da arte.

Samya Magi – Trabalho o tempo em minhas obras, como em minhas máscaras de cerâmica, ouso fazer a passagem do tempo. As perdas e as transformações do novo no velho, linhas que me envolvem e me fascinam, por vezes invisíveis. Não sei se o tempo é amigo ou inimigo. Com o passar dos anos tudo se desgasta, mudando continuamente o perfil humano. As máscaras nelas refletidas, o cotidiano, a angústia que corre a alma e tudo que se conquista. A corrosão no meu ser onde tudo se entrelaça, visível e invisivelmente, minhas perdas, minhas dores, traumas e medos, sentimentos e emoções que influem nas escolhas de tudo que represento. Uma máscara esconde tristezas e frustrações, uma vida não é outra coisa do que o seccionamento do tempo, e o tempo o fluxo da teia dos acontecimentos que nos envolve.

Vando Farias – Transcreve a ancestralidade baseado nas matrizes primitivas dos povos africanos como nos indígenas brasileiros, uma fusão estética que transgride o tempo e suas tradições.um xamã com máscaras, totens e altares sagrados , faz do seu ritual uma verdadeira crença na arte e nos seus mitos que permitem a conexão do espiritual com a matéria representada em sua arte. Vai nos revelar o tempo de todos nós e tudo desvela, tudo esclarece e tudo ensina . Vando Farias tem o primor dos grandes artífices, que através de materiais reciclados ele nos possibilita entrar no mundo misterioso da arte.

Protocolos de biossegurança

A retomada das atividades de shows, espetáculos de teatro e dança e visita guiada no equipamento se dará através de protocolo de biossegurança, tendo em vista e atendendo todos os “Protocolos de Reabertura do Governo do Ceará”. Não será permitida a entrada nem a permanência de pessoas sem uso de máscaras. É recomendada higienização das mãos, obrigatoriedade de distanciamento social e etiqueta respiratória (tossir e espirrar com proteção do cotovelo e da máscara). Serão disponibilizados tótens com álcool em gel 70% para higienização das mãos nos diversos espaços do equipamento.

SERVIÇO

Exposição “Arte Atemporal”

Quando: 29 de setembro, às 19h (vernissage só para convidados)

Visitação: de 30 de setembro a 30 de outubro, das 9h às 16h (terça a sábado)

Onde: Galeria Ramos Cotôco/ Anexo do Theatro José de Alencar (Rua 24 de Maio, 600 – Centro)

Entrada franca